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Mulheres fazem abaixo-assinado para alterar nome de praça em Uberlândia (MG)

13/03/2018

Local homenageia Tubal Vilela, que mesmo após confessar o assassinato de sua esposa grávida, foi absolvido pela Justiça

Escrito por: Julia Cabral / Brasil de Fato

Dando continuidade às manifestações do 8 de março do ano passado, diversas mulheres estão organizando um abaixo-assinado, com o objetivo de alterar o atual nome da praça Tubal Vilela, na região central de Uberlândia, para Ismene Mendes. Em 2017, houve a troca simbólica do nome da praça pelas manifestantes, com adesivos colados nas placas oficiais.

A professora universitária e ex-presidenta da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Uberlândia, Jorgetânia Ferreira, falou sobre isso: “No ano passado, chegamos à conclusão que não aceitávamos mais que um assassino de uma mulher grávida pudesse dar o nome à praça principal de nossa cidade. Então fizemos o rebatismo da praça para Ismene Mendes, para homenagear uma mulher de luta, uma mulher da resistência. Já neste ano decidimos dar um passo à frente, reforçando a luta pelo lado formal”.

Ela destacou ainda que o abaixo-assinado tem o intuito de ter mais participação da população da cidade como um todo. “Depois disso, pensaremos os próximos passos, como uma audiência pública, levar para a Câmara Municipal”, defende a professora.

O crime 

Tubal Vilela era casado com Rosalina Buccironi, com quem tinha dois filhos. Rosalina estava grávida de seu terceiro filho quando foi morta, aos 19 anos, por Tubal Vilela com um tiro na nuca. A justificativa do assassino era que sua esposa o traía, e que ele havia cometido o crime para defender sua honra. Tubal Vilela foi absolvido pela Justiça.

A homenageada 

Nascida em Patrocínio, Ismene Mendes se formou em direito na Universidade Federal de Uberlândia. Trabalhou defendendo camponeses da região contra os abusos dos patrões e por isso recebia diversas ameaças de morte. Em 1985, Ismene foi espancada e estuprada; uma semana depois foi morta. Segundo a polícia, Ismene teria se “autoestuprado” e se suicidado, tendo como justificativa do delegado para chegar a essa conclusão que ela era “uma mulher de hábitos livres”. 

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