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Debate sobre os atuais desafios do movimento sindical marca segundo dia de plenária

14/09/2021

Para os grupos de poder, a pandemia está sendo um grande teste para medir o limite do suportável e, esse mesmo grupo, vai fazer desse patamar o novo normal da exploração da força de trabalho

Escrito por: Paula Morena

 
Em seu segundo dia, a 4ª Plenária Nacional Estatutária Ligia Deslandes contou com a análise de conjuntura nacional realizada pelo ex-deputado federal do Partido dos Trabalhadores, José Genoino. 
 
Em sua avaliação, Genoino elencou, como questão central e decisiva, a derrubada do governo Bolsonaro. Segundo ele, o atual presidente da República é um elo da cadeia que precisa ser desarticulado, sob pena de que, se não o fizermos, veremos o Brasil ser cada vez mais esfacelado.
 
“Bolsonaro representa uma ameaça às liberdades políticas e se ele continuar à frente da presidência irá destruir o país de uma forma irreparável. Então, a questão emergencial é tirá-lo ou enfraquece-lo ao máximo, tanto pela necessidade da manutenção dos valores democráticos, quanto para evitar a destruição do país”, afirmou. 
 
O ex-deputado também defendeu a criação de uma frente democrática antiliberal unida para derrubar o governo, eleger-se em 2022 e governar o país sob a tutela de um programa de governo que proporcione mudanças estruturais.  
 
“Faz-se necessário recolocar questões essenciais. Como governar o Brasil com o teto de gastos, com as privatizações, com a Petrobrás fragilizada, sem taxar as grandes fortunas, sem investimentos nas políticas públicas, sem a recuperação do princípio da soberania nacional, sem estratégias no plano internacional?”, questionou.
 
Na sua opinião, as forças populares necessitam de um programa para “desmontar o desmonte”.
 
 Como vamos enfrentar a tutela militar, ou a tutela do Ministério Público que criminalizou a politica, sem uma reforma política? Como faremos esse debate se ainda não incorporamos - com radicalidade - a luta das mulheres, dos negros, dos índios, das minorias? Portanto, temos que governar com transformações”, alertou. 
 
Para finalizar, Genoino falou da responsabilidade de eleger Lula. 
 
“Temos que eleger o Lula, mas não basta só o Lula. Temos que eleger o Congresso, mas não basta só o Congresso. Precisamos ocupar as ruas, defendendo as pautas sociais e trabalhistas, para garantir governabilidade a Lula”, e finalizou dizendo da necessidade de resgatar a utopia, o sonho e o futuro. “Somos anticapitalistas e não temos vergonha de assumir que somos socialistas”, garantiu.
 
A segunda mesa trouxe um debate sobre os limites e desafios das Convenções Coletivas de Trabalho, ministrado pelo diretor-adjunto do DIEESE, José Silvestre Prado de Oliveira.
 
“Com um cenário econômico desfavorável às negociações e a desproteção das legislações trabalhistas, o que os sindicatos estão fazendo é a luta para tentar manter as conquistas”, lamentou.
 
Em sua avaliação, as barbaridades diárias de Bolsonaro infringem diretamente em nossa economia e o setor de serviços é o mais afetado.
 
“De um lado, temos a precarização das relações de trabalho e do outro, a pandemia do coronavírus. É nesse contexto que se dão as negociações coletivas, nesse cenário bem pessimista”, pontua.
 
Outra realidade apontada pelo técnico do Dieese é a intensificação do trabalho remoto, homeoffice ou teletrabalho, que traz uma série de questões para o debate nas convenções coletivas.  Segundo ele, algumas categorias até conseguiram firmar algumas regras para a essa nova plataforma de trabalho, mas trata-se de outro desafio a ser encarado, principalmente, no período pós-pandemia. 
 

Organização sindical em tempos de pandemia

Na avalição do educador popular Emilio Gennari, assim como o restante da sociedade, os sindicatos foram pegos de surpresa pela pandemia e se prenderam às próprias pautas, se esquecendo de olhar para a realidade de classe.
 
Segundo ele, as centrais sindicais, que deveriam se preocupar com o conjunto da classe, levaram quase um ano para chegar a uma bandeira comum: “comida no prato e vacina no braço”. 
 
“Por medo do contágio, os dirigentes se trancaram em casa e, por não irem ao encontro da base, deixaram de entender quais eram as demandas, as necessidades dos locais de trabalho e a resposta que poderia ser dada à pandemia”, alertou. 
 
Gennari também tratou de outra realidade imposta pela crise econômica, de que os sindicatos representam apenas 43% dos trabalhadores. Os outros 57%, relegados à informalidade, estão desamparados e não se reconhecem enquanto classe trabalhadora. 
 
Por fim, o educador deixou um importante alerta.
 
Para os grupos de poder, a pandemia está sendo um grande teste para medir o limite do suportável e, esse mesmo grupo, vai fazer desse patamar o novo normal da exploração da força de trabalho no período pós-pandemia”, concluiu. 
 

As perspectivas para o financiamento sindical

Os trabalhos da manhã se encerraram com o debate sobre o custeio da luta sindical e trouxe como palestrantes o secretário de Administração e finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo, e o líder do PT na Câmara, deputado Bohn Gass.
 
Ariovaldo reforçou a necessidade de uma gestão sindical transparente e participativa, para valorizar toda ação e o gasto de cada centavo. 
 
“Um sindicato sem esses princípios, de rentabilizar o que tem de estrutura, afasta a base de sua gestão, se enfraquece e sucumbe”, afirmou. Para Bohn Gass, vai se levar um bom tempo para recuperar o prejuízo causado pelo fim o imposto sindical, mas o desafio mais importante e discriminar os sindicatos.
 
“Impuseram a ideia de que o imposto só servia para enriquecer sindicalistas e não tivemos tempo hábil para fazer esse debate com os trabalhadores. Agora, é desenvolver uma alternativa, pois toda ideia de imposto será rechaçada pela sociedade”, alertou. 
 
Ao final, o parlamentar parafraseou o educador Paulo Freire, afirmando que é “necessário nos armarmos com a capacidade de nos indignar e esperançar”.
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