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Ramo do Comércio e Serviços debate resistência à Reforma Trabalhista em Brasília

17/08/2017

Sindicalistas se reúnem para traçar estratégias de luta contra legislação que retira direitos da classe trabalhadora

Escrito por: Marina Maria / Contracs

Cerca de 120 dirigentes sindicais , trabalhadores e trabalhadoras participaram do primeiro dia do seminário Resistência à Reforma Trabalhista, que acontece nessa quarta-feira (16), no Clube dos Comerciários, em Brasília. Idealizado pela Federação dos Trabalhadores no Comércio do Distrito Federal (Fetracom-DF), o evento tem como objetivo esclarecer os representantes dos trabalhadores, sobretudo do ramo do comércio e serviços, sobre os impactos da nova legislação trabalhista e traçar estratégias de resistência à nova lei, que promove um desmonte da Justiça do Trabalho e dos direitos conquistados pela classe trabalhadora.

Coordenaram os trabalhos da mesa, a secretária-adjunta de administração e finanças da Contracs e presidenta do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio do Distrito Federal (Sindicom- DF), Geralda Godinho e o diretor da Contracs e presidente da Fetracom-DF, Washington Domingues.

“Vivemos uma avalanche de notícias péssimas para a classe trabalhadora. Espero que todos vocês, que estão presentes nesse debate, aproveitem cada minuto, porque mais do que nunca nós precisamos bombardear de informações as nossas bases. Os sindicatos precisam estar cada vez mais fortes e combatentes para enfrentar o que está por vir. Não será nada fácil, mas eu acredito que é nas dificuldades que conseguimos nos superar e crescer”, afirma a presidenta do Sindicom/DF.

Concordando com Geralda Godinho, o presidente da Fetracom/DF, Washington Domingues, também acredita que a classe trabalhadora pode reverter esse processo: “Sairemos daqui com um norte, enriquecidos com o que vamos aprender. Precisamos de uma estratégia de como enfrentar essa batalha, e buscar outras pessoas, disputar o discurso, conscientizar”, afirma o dirigente sindical.

Para o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF), as entidades classistas perderam uma batalha com a aprovação da “reforma”. “Em parte, a culpa foi nossa porque não conseguimos convencer os trabalhadores do que essa reforma representa. A rede Globo, de uma forma muito competente, reduziu a discussão da reforma ao imposto sindical, como se a luta das entidades fosse apenas para não perder isso e, com essa informação, viraram os trabalhadores contra nós”, afirma Chico.

Impactos no ramo do Comércio e Serviços
“Os trabalhadores estão sendo dados como oferenda ao deus mercado. Para quem trabalha no comércio, sabemos que tem dias que você trabalha muito mais do que em outros; os trabalhadores de clubes e bares sabem muito bem o que é isso. Com a nova legislação trabalhista você vai ganhar pela hora trabalhada e só vai trabalhar quando tem muita demanda, no sufoco”, explicou a deputada federal Érika Kokay (PT-DF).

“Vamos entrar com uma série de projetos para desconstruir e revogar a reforma trabalhista. É preciso fazer um movimento que constranja os deputados sobre os votos e posicionamentos que eles estão adotando. Direitos não são mercadorias. E do direito a gente não abre mão porque eles custaram a dor, a fé e a esperança de muitos brasileiros e brasileiras e de muitos trabalhadores ao redor do mundo”, afirma Érika.

A deputada ainda parabenizou a secretaria de coordenação administrativa e política da Contracs/CUT, na figura de seu representante Luiz Saraiva, pela forte atuação na Câmara dos Deputados. “Com a ajuda da Contracs/CUT e do sindicato dos Comerciários conseguimos barrar alguns projetos naquela Casa, sobretudo na CTASP, que possui uma maioria empresarial ”, afirmou a deputada.

Organizar e resistir
“É necessário que haja muito conhecimento e estratégia para dialogar com o trabalhador sobre a necessidade de fazer o enfrentamento sob uma ótica classista, com disposição, vontade e coragem para fazer a luta”, afirma o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.

Para o sindicalista, vivemos um estado de exceção desde que um golpe parlamentar afastou a presidenta eleita Dilma Rousseff, há mais de um ano. “É necessário que a nossa indignação se torne combustível para mudar a lógica da atual conjuntura, onde temos derrota atrás de derrota. Nós realizamos coisas inimagináveis, fizemos as maiores manifestações históricas da capital desse país. Conseguimos organizar duas greves gerais fortíssimas onde Brasília se destacou, coisa que há um, dois anos atrás, pensaríamos que era impossível”, destacou o presidente da CUT Brasília.

Para Rodrigo Britto, “Temos que construir a reorganização da classe trabalhadora pela base, na comunicação, no diálogo, reorganizar os sindicatos e as formas de luta. Fizemos muito, mas é necessário que façamos muito mais para derrotar esse governo golpista e suas ideias fascistas”, encerra.

“O caminho é mobilizar a população, cobrar os políticos, melhorar o discurso, capacitar mais o dirigente sindical para que eles possam convencer os trabalhadores e a população do que está acontecendo. Precisamos que haja uma profissionalização nas ações dos sindicatos, nos departamentos jurídicos, com muita atenção em 2018, porque se a gente não mudar os atores no Congresso Nacional, não conseguiremos fazer nada”, explica o advogado Antonio Alves Filho, do jurídico do Sindicom/DF.

“Precisamos ter a capacidade de interagir com os trabalhadores e convencê-los de que nós estamos ao lado deles e a grande mídia está contra, prejudicando os direitos da classe trabalhadora”, afirma o advogado, que também explicou que a aprovação da medida é uma verdadeira implosão da justiça do trabalho, uma vez que dificulta gravemente o acesso do trabalhador à justiça, limita a atuação do Ministério Público e a capacidade dos juristas em editarem súmulas que poderiam auxiliar na luta trabalhista.

Impactos na economia
Representando o Dieese, Tiago Oliveira explicou aos sindicalistas como a crise internacional de 2008 contribuiu para a situação econômica e política que o Brasil enfrenta nos dias atuais.

“O que vivemos é uma estratégia de crescimento neoliberal que foi sinalizada para o mercado naquele projeto chamado Ponte Para O Futuro, foi o PMDB dizendo ao mercado que era aquilo que o governo implantaria caso eles ajudassem no golpe, uma política que não foi aprovada nas urnas”, afirma o representante do Dieese.

Para Tiago Oliveira, a “reforma” não traz grandes melhorias para a economia. “Com toda essa oscilação, as pessoas não vão abrir linha de crédito, ficarão receosas em se comprometer sem saber se o emprego estará garantido. O país vai conviver com situações de desemprego mais elevados e economia instável”, afirma o representante do Dieese.

Após as exposições, os participantes do seminário puderam fazer perguntas que foram respondidas pelos palestrantes, dinâmica que se repetirá em todas as mesas. O Seminário vai até esta quinta-feira (17), e tem uma programação que conta com sete mesas de debate e quase vinte palestrantes, entre técnicos, militantes, estudiosos juristas e políticos, que são aliados na resistência contra a reforma trabalhista.  

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