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No Dia Internacional da Mulher, cutistas iniciam em Campinas marcha que seguirá até São Paulo
Quando Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, há 100 anos, durante a 2.ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, esperava que a data representasse a unidade de todas para transformar a sociedade machista em um modelo justo, igualitário e capaz de respeitar às diferenças. Caso estivesse viva e caminhasse por Campinas na tarde dessa segunda-feira (8), certamente a alemã ficaria orgulhosa. Por volta das 16h, no Largo do Rosário, região central do município a 100km da capital paulista, era possível ouvir um grupo de piauienses cantar que a luta das mulheres pelo poder é difícil, mas precisa acontecer. Diziam mais: que vieram do Piauí fazer barulho em terra alheia, como tantas outras de todo o País farão até o dia 18 de março, quando a terceira ação internacional da Marcha Mundial de Mulheres terminará, na Praça Charles Miller, diante do estádio do Pacaembu. Até lá, a mobilização seguirá por Valinhos (9), Vinhedo (10), Louveira (11), Jundiaí (12), Várzea Paulista (13), Cajamar (14), Jordanésia (15), Perus (16) e Osasco (17), em uma rotina que inclui acordar por volta das 4h30, iniciar a caminhada rumo á próxima cidade, se alimentar e no período da tarde, participar de oficinas de formação. No ato inaugural da caminhada, cerca de 3 mil companheiras cobriram em instantes as calçadas campineiras com o lilás das camisetas, bonés, faixas e bandeiras em defesa do acesso irrestrito a bens comuns e serviços públicos, paz e desmilitarização, autonomia econômica e o fim da violência contra as mulheres, eixos da ação que tem como tema “Seguiremos livres até que todas sejamos livres”. Entre as manifestantes estavam pessoas como Maria da Luz, de 47 anos, viúva, mãe de três filhos, que deixou a família em Teresina e viajou três dias para lutar por igualdade. “Além da discriminação na hora de contratar em relação aos homens, ganhamos menos que eles fazendo as mesmas coisas. Queremos acabar com isso em nosso Estado”, disse ela que trabalha como cobradora de ônibus. CUT feminista e de luta De acordo com Rosane Silva, Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, a central deve levar à caminhada cerca de 700 mulheres. A expectativa é que além dos pontos citados, a mobilização dê visibilidade a temas do mundo do trabalho. “Iremos trazer à pauta geral os debates que estão sendo travados pelo movimento sindical como a redução da jornada de 44 para 40 horas, o acesso a creches públicas de boa qualidade e a ratificação da convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – norma que assegura a igualdade de oportunidades para homens e mulheres.” Para o Secretário Geral da CUT, Quintino Severo, a luta das mulheres é a luta da classe trabalhadora. “Esperamos que a marcha seja um importante instrumento de conscientização da sociedade brasileira sobre as desigualdades que existem entre homens e mulheres, especialmente na política e no local de trabalho, onde há poucas ainda em cargos de liderança. Acredito que essa manifestação permitirá discutir essa discriminação e apontar a urgência de superá-la.” A Secretária de Comunicação da Central, Rosane Bertotti, ressaltou que as eleições em 2010 também colocam na ordem do dia a necessidade das mulheres ocuparem os espaços públicos. “O ato que inicia hoje demonstra uma imensa capacidade de luta e organização. Precisamos manter esse espírito para avançarmos mais para conquistarmos direitos que ainda nos são negados como a divisão de responsabilidades nos cuidados com os filhos e o salário igual para trabalho de igual valor.” Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs), Lucilene Binsfeld, a Tudi, esteve presente na manifestação e reforçou a necessidade de corrigir discrepâncias inexplicáveis. “Precisamos conquistar aliados que defendam propostas capazes de contribuir para a construção de um Estado realmente democrático, como a equiparação de direitos das trabalhadoras domésticas com os demais trabalhadores, o fim do trabalho aos domingos e a descriminalização do aborto. Estamos demonstrando hoje que não podemos ficar paradas enquanto as coisas acontecem.” Ô abre alas, que elas querem passar Segundo Sônia Coelho, da Marcha Mundial de Mulheres, o momento é de apontar políticas como alternativas para frear a exploração da mulher. “Não temos uma pauta principal porque todas se relacionam: desde o fim da desigualdade e da mercantilização das mulheres, até um basta à violência e a falta de acesso a bens comuns como terra e emprego. Aí, entra também a questão da soberania alimentar e a necessidade de expressar a solidariedade entre companheiras de todo o mundo que precisam combater a militarização em todo o planeta”, comentou. Ela acrescentou que o Brasil avançou com a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, mas destacou a necessidade de maior ousadia no combate à desigualdade. Às sete da noite, de mãos dadas e por cerca de quatro quilômetros, as manifestantes seguiram até chegar ao Ginásio Rogê Ferreira, onde dormiram acomodadas em colchonetes. Logo pela manhã, como costuma ser para a maioria delas, a batalha continuou. Faça ou faça chuva. Fonte: CUT Nacional/Luiz Carvalho

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