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O meio ambiente e o mundo do trabalho

O Instituto Observatório Social lançou em junho a 15ª edição de sua revista informativa. Ela apresenta o resultado de uma profunda investigação sobre empresas que financiam a devastação da Amazônia. Mais de 15 mil quilômetros foram percorridos pela equipe de reportagem, ao longo de nove meses de um trabalho extenuante e metódico, que contou com uma ampla rede de colaboradores e de organizações.

As informações apuradas permitiram fechar os elos de uma corrente perversa, que começa no interior da floresta e termina na casa de consumidores em todos os continentes.

A revista apurou que grandes empresas brasileiras e estrangeiras estão na ponta da cadeia produtiva que financia a devastação da floresta amazônica. A madeira, beneficiada por empresas sistematicamente envolvidas em crimes ambientais, é vendida para exportadoras que as repassam para empresas sediadas nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Muitas das empresas que compram a madeira do desmatamento detém selos de certificação ambiental e são vistas como empresas socialmente responsáveis. Na prática, contudo, são financiadoras da devastação, pois compram madeira sem realizar uma rigorosa checagem da origem do produto e sem levantar o perfil dos seus fornecedores.

Quando usado por empresas inescrupulosas, o discurso da sustentabilidade ambiental e da responsabilidade social empresarial cai no vazio, em ações de marketing que visam apenas encobrir atos predatórios.

Os trabalhadores têm um importante papel na construção de um mundo mais justo e ambientalmente sustentável. A agenda ambiental se tornou assunto de grande importância em qualquer projeto de desenvolvimento.

A Central Única dos Trabalhadores, por exemplo, já se posicionou a favor de vetos presidenciais à MP 458, que ficou conhecida como a MP da Grilagem, que entre outras medidas promove a legalização de terras ilegais na Amazônia, inclusive nas áreas onde atuam as empresas que exportam a madeira do desmatamento. 

O desmatamento e os negócios ilegais de produtos oriundos da Amazônia interessam apenas aos setores retrógrados da sociedade. O movimento sindical deve se aliar de forma madura e responsável a essa luta em defesa da vida e da construção de um mundo mais justo e sustentável.

Para conhecer o trabalho desenvolvido pelo Instituto Observatório Social, visite o site: www.os.org.br

Por Valeir Ertle, Diretor Administrativo-Financeiro do Observatório Social e Secretário de Relações Internacionais da Contracs/CUT

Ponto de Vista publicado no Portal do Mundo do Trabalho (www.cut.org.br)

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