Promotor nega revista íntima e é barrado em loja do Supermercado Sondas
Roberto Reis Pereira Franco tem 35 anos, é negro e é promotor na rede Sondas de Supermercado. No início de agosto, ao sair de sua jornada de trabalho, os seguranças da loja localizada à Avenida Marechal Tito impediram sua saída. A intenção era de fazer uma revista íntima em uma sala contígua. O ato consiste em se deixar ser apalpado nos bolsos da calça e camisa e nos tornozelos para saber se nada foi levado da loja. O promotor se recusou a passar pela revista e acionou a polícia, que registrou boletim de ocorrência. Ao ser informado da recusa, um diretor do mercado dispensou o trabalhador da revista e alegou que não aceitava mais os serviços do promotor naquele local. De acordo com o Sindicato dos Promotores, Repositores e Demonstradores de Merchandising do Estado de São Paulo a atitude é abusiva, preconceituosa e desrespeita o trabalhador. De acordo com Luiz Santos Souza, secretário geral do sindicato, o problema é recorrente. “Nas lojas do Sondas é comum. Em alguns casos, a revista é pedida, mas o promotor não concordou, por isso, chamou a polícia.” afirma Souza. Souza relatou ainda outros problemas comumente enfrentados pelos promotores em lojas da rede: “Os promotores precisam de autorização escrita do gerente de departamento para irem ao banheiro. Isso fere o direito constitucional do cidadão de ir e vir.” Para que problemas como este não se repitam, o sindicato está encaminhando ação ao Ministério do Trabalho contra a prática. A ação também será encaminhada ao Ministério Público. Além disso, a entidade pediu uma mesa de entendimento com a empresa para que se posicione em relação ao controle de saída, que pode ser considerado cárcere privado, obrigatoriedade do Promotor representante da Empresa a abastecer produtos que não são de sua responsabilidade, assédio moral, discriminação racial e revista íntima. De acordo com a ação movida por Franco contra a rede, “há boatos juntos ao estabelecimento de que nenhum negro trabalha para a rede de supermercados Sonda.” A ação informa ainda que o promotor, por ser negro, passou a ser objeto de hostilidade quando se trata de segurança e passou a sofrer constantes revistas íntimas. Procurada, a empresa não se pronunciou a respeito das revistas íntimas e sobre o caso do promotor de vendas Roberto Reis Pereira Franco. Escrito por Adriana Franco

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