CONTRACS > LISTAR NOTÍCIAS > SEMINÁRIO ABORDA IMPACTOS DAS REFORMAS PARA AS DOMÉSTICAS

Seminário aborda impactos das reformas para as domésticas

05/09/2017

Segundo a OIT, o Brasil é o país com o maior número de trabalhadoras domésticas no mundo

Escrito por: Bruno Pavan/ CUT-SP

O auditório da CUT no centro da Capital paulista recebeu nesta segunda-feira (4) o seminário “Lutas e desafios das trabalhadoras domésticas no mundo do trabalho”. O evento foi organizado pelas secretarias da mulher trabalhadora e da igualdade racial da CUT-SP e da CUT Brasil.

Segundo a organização Internacional do Trabalho (OIT) o Brasil é o país com o maior número de trabalhadoras domésticas no mundo com mais de 7 milhões, sendo que mais de 90% desse universo é composto por mulheres, e mais de 60%, de mulheres negras.

Para entender essa diferença, a doutoranda em economia pela Unicamp e educadora da Escola Sindical São Paulo Juliane Furno, disse que precisamos entender a herança escravista ainda presente na realidade dessas trabalhadoras. “Como a abolição não foi seguida de políticas públicas para inserir os negros e negras no mercado formal de trabalho, a grande maioria deles continuaram trabalhando realizando tarefas doméstica nas mesmas famílias que os escravizaram”, apontou.

Juliane também destacou como a crise econômica interfere na vida dessas trabalhadoras. Ela mostrou que sempre quando a economia vai bem, o número de trabalhadoras domésticas caí no país, e o contrário também é verdadeiro, dando a esse trabalho uma característica de precarização.

“O salário da trabalhadora doméstica cresceu mais do que a média do Salário Mínimo entre 2003 e 2014. Isso porque o país vivia um crescimento econômico e o número de empregadas estava caindo. Já no segundo semestre de 2015, com a crise se agravando e o desemprego aumentando, as mulheres tiveram que retornar para esse mercado”, apontou.

O debate também lembrou dos anos de luta das trabalhadoras domésticas. Louisa Acciari, doutoranda da London School of Economics e estudiosa da luta das trabalhadoras domésticas no Brasil, explica que a mobilização pela equiparação de direitos vem de muito antes da aprovação da PEC 150/2015, a chamada PEC das Domésticas.

“Essa luta vem desde, pelo menos, a década de 1970. As trabalhadoras domésticas sempre tiveram em suas pautas de que o trabalho doméstico que elas desenvolviam possibilita os outros trabalhos no país. Claro que a conjuntura política, com os governos do PT e a pressão internacional por essa equiparação ajudaram muito na provação da PEC em 2015. Mas essa luta vem de longe”, disse.

A interseccionalidade, que deve levar em conta a luta das mulheres em conjunto com a racial e proletária também é essencial para que o capitalismo não coopte a luta feminista pelo mundo. A professora da USP e da Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS, na França, Helena Hirata mostrou como a indústria da moda tem explorado, em capas de revistas, a imagem da feminista rica, branca e que veste as melhores marcas.

“Se você considera que feminismo é isso, então não há mais necessidade de luta. Nós somos todas feministas dessa maneira, todas nos vestimos muito bem, nos penteamos muito bem e acabou aí. A interseccionalidade é muito importante porque é a nossa arma política contra as opressões”, encerrou. 

  • Imprimir
  • w"E-mail"
  • Compartilhe esta noticia
  • FaceBook
  • Twitter

Conteúdo Relacionado

TV CUT
João Felício, presidente da CSI, Confederação Sindical Internacional, presta solidariedade a sindicalistas coeranos presos.
João Felício, presidente da CSI, Confederação Sindical Internacional, presta solidariedade a sindicalistas coeranos presos.

João Felício, presidente da CSI, Confederação Sindical Internacional, presta(...)

RÁDIO CUT
Facebook Twitter Contracs Fecesc Fetrace Fetracom-DF Fetracom-PB Fetracs-RN Conexão Sindical Rede Brasil Atual

Todos os Direitos Reservados © CONTRACS
Sede: Quadra 1, Bloco I, Edifício Central, salas 403 a 406 | Setor Comercial Sul | CEP: 70304-900 | Brasília | DF
Telefone:(55 61) 3225-6366 | Fax:(55 61) 3225-6280
Subsede: Avenida Celso Garcia, 3177 | Tatuapé | CEP: 03063-000 | São Paulo | SP
Telefones:(55 11) 2091-6620 / 2091-2253 / 2092-5515 / 2225-1368 | Fax:(55 11) 3209-7496
www.contracs.org.br | contracs@contracs.org.br