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Trabalhador não deve ser tratado como máquina

01/01/2011

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Reconhecer os limites humanos, valorizar o empregado e eliminar os fatores que geram sofrimento pode tornar o trabalhador mais saudável e produtivo 

O comércio acaba de atravessar uma fase típica. O fim de ano, com o movimento maior nas lojas, faz com que os comerciários se desdobrem para atender bem o grande número de clientes. Mas não é apenas essa a época de desafios. Durante o ano, o empregado também tem que superar inúmeras situações de sofrimento. Com isso, enquanto alguns adoecem, outros que exercem a mesma atividade na empresa continuam saudáveis. Então, por que isso acontece?

Com base no livro “A loucura do trabalho”, do psiquiatra e psicanalista francês Christophe Dejours, a psicóloga e professora, Anelise de Oliveira, explica o que pode influenciar no adoecimento ou não do trabalhador.

Encarar ou negar a doença?Medo de ser demitido, ansiedade e desconhecimento real das tarefas são alguns dos problemas que os comerciários enfrentam cotidianamente. Segundo Anelise, muitas empresas utilizam sentimentos como esses para garantir que o trabalhador produza cada vez mais. Essa condição de trabalho, somada à dificuldade da pessoa de lidar com o sofrimento, pode causar diversas doenças tanto físicas quanto psicológicas.

Mas há como se proteger. De acordo com o estudo de Dejours, é mais resistente aquele trabalhador que reconhece o sofrimento e tenta resolvê-lo. Pois, a dificuldade que é negada pode gerar, com o tempo, alterações de peso, problemas de estômago, dentre outros, ou doenças psicológicas como a depressão.

A psicóloga afirma que muitas pessoas têm vergonha de assumir a doença. Elas comparecem ao trabalho, mesmo sem estar em condições, por temer a forma como a empresa pode interpretar a ausência. “A doença ainda está associada à inutilidade. No caso da doença mental é pior porque ela não é visível, então não é aceita. As pessoas pensam que é uma invenção do trabalhador, porque se é na cabeça dele, é como se ele pudesse resolver”.

Vigilância e desvalorização aumentam riscos de doenças
A psicóloga destaca também que no caso dos comerciários três fatores deixam a questão ainda mais preocupante. Um deles é a vigilância constante com que algumas empresas tratam seus funcionários. “Hoje em dia, muitas lojas têm câmeras instaladas no local de trabalho. Essa câmera já não é utilizada mais para os clientes, para ver roubos, e sim para vigiar os funcionários e eles sabem disso”.

Além disso, outra particularidade de quem trabalha no comércio é a exigência de lidar o tempo todo com outras pessoas. A professora conta que tal relação pode causar esgotamento físico e mental, já que exige um alto grau de atenção e paciência para receber os clientes que chegam já “irritados”.

Por fim, o terceiro ponto que ela cita é a difícil identificação do sentido do trabalho.  Isso ocorre quando o comerciário, mesmo trabalhando pesado o dia todo, tem a impressão de que não fez nada produtivo. “Nesse caso o empregado produz como uma máquina, com tarefas rotineirizadas e não é exigido que ele utilize o pensamento criativo no trabalho”. Anelise explica que essa prática anestesia os sentidos do trabalhador de tal forma que ele passa a abandonar a sua capacidade criativa inclusive fora do trabalho.

Vantagem da organização está nas pessoas
Esse conjunto de problemas apontados pela psicóloga traz prejuízos tanto para os trabalhadores, que passam a desenvolver doenças, quanto para as empresas. Para Anelise, a vantagem competitiva de uma empresa está nas pessoas. “Principalmente no comércio, porque o comerciário lida diretamente com o cliente. O sucesso da empresa depende do quanto ela investe em seus funcionários”.

Nesse sentido, é necessário haver mudanças dos dois lados: tanto por parte do trabalhador quanto da empresa. No caso dos empregados, os estudos propõem que eles se enxerguem como sujeitos pensantes, criativos e se disponham a trabalhar sem perder de vista a sua própria humanidade. Ou seja, reconhecer e enfrentar as dificuldades ao invés de escondê-las.

No que diz respeito ao papel das empresas na inversão desse quadro, a primeira atitude é humanizar o trabalho. Isso significa deixar de explorar a frustração ou ansiedade do trabalhador para aumentar a produtividade. É buscar lideranças competentes, dar autonomia aos funcionários e fazer com que eles vejam sentido nas tarefas que realizam. “Os seres humanos não devem ser tratados como máquinas, porque eles não são. A solução é humanizar, entender o homem com as suas características de humanidade”, conclui a professora.

Para acessar o Informativo Comerciário, do SECI, clique aqui.

Fonte: SECI

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